economiacapixaba

PARA ONDE VAI A ECONOMIA (E A INDÚSTRIA) BRASILEIRA?

In Indústria brasileira on 18/08/2014 at 9:16

Por: Ednilson Silva Felipe

industria-farmaceutica-20110323-095844À medida que novos números são divulgados por vários organismos oficiais, por empresas ou por institutos de pesquisas, percebe-se uma importante desaceleração da economia brasileira em 2014. Diante disso, uma pergunta vem se tornando relevante: estamos caminhando para uma recessão no Brasil? Estamos à beira de um crescimento negativo do PIB?

 

A preocupação é pertinente. No primeiro trimestre de 2014 (1T2014), de acordo com os dados do IBGE, o PIB cresceu 0,2% em relação ao trimestre anterior. A economia ficou basicamente estagnada. Na prévia do crescimento do PIB para o 2T2014, a economia teria apresentado queda de 1,2%, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Se levássemos em consideração apenas os dados do BC para os períodos anteriores, a economia brasileira já estaria em recessão. E não se espera que os dados que serão divulgados pelo IBGE sejam tão diferentes destes: a expectativa é de um crescimento negativo do PIB. As opiniões são divergentes, no entanto, em relação a quanto tempo o Brasil ficaria em recessão.

Quando se trata da participação da indústria nesses resultados, o cenário fica ainda mais complexo. Pelos dados de junho, a indústria praticamente parou:

001

 

Alguns defendem que os números tão ruins para o mês de junho foram conseqüência da copa do mundo (“efeito copa”): poucos dias úteis e férias coletivas. Para o mês de julho, entretanto, não se observa grandes mudanças nesses números. Nada houve que significasse um “empurrão” na produção industrial.

Em relação a isso, um fato que tem chamado a atenção é uma aparente contradição entre os números da indústria e do comércio varejista. Enquanto a indústria apresenta grave desaceleração, o comércio vem apresentando um desempenho considerado satisfatório.

002

Fazendo esses dados partindo de um índice de 100, teríamos:

003

Isso indica que parte da venda do comércio varejista brasileiro não está sendo coberto pela produção nacional. Se isso não pode estar, por outro lado, sendo coberto pelos estoques por tanto tempo seguido, indica que os produtos importados é que estão cobrindo essa diferença, cada vez maior, como facilmente se visualiza acima.

Indica, ainda e por outro lado, a influência do valor relativo da taxa de câmbio sobre a indústria brasileira, que pode estar vendo parte da sua competitividade interna sendo corroída quando se compara ao potencial concorrencial dos produtos importados. Soma-se ao câmbio, é claro, os problemas relativos ao custo logístico e de infraestrutura.

A questão que se coloca, porém, é que o fraco desempenho da indústria não é conjuntural. As condições de produção industrial vêm se deteriorando pelo menos nos últimos 20 anos. E, é consenso: não se pode ter uma economia pujante sem que a indústria cumpra o seu papel.

Nos últimos anos o setor de serviços é que vem puxando a economia. Porém, (1) ele não é o setor mais e dinâmico parece já estar iniciando, também, um processo de desaceleração e (2) é no setor de serviços que os preços têm mostrado maior recrudescimento à queda, fomentando a inflação.

Mais do que políticas industriais remendadas (Brasil Maior, PDP, desonerações temporárias), é preciso um plano de longo prazo para recuperação da competitividade da indústria brasileira. Mais do que três PACs, é preciso criar um estímulo à indústria, baseada numa demanda robusta para obras de infraestrutura, por exemplo. Essas possibilidades poderiam ser robustas se houvesse orientação para a indústria nacional suprir a demanda por novos materiais que serão necessários no pré-sal, por exemplo. Porém, nesse caso, em face da briga política em torno do tema, a institucionalidade que se formou para o pré-sal dificilmente será uma forte estimuladora da indústria brasileira.

Assim, o que se pode dizer é que se as expectativas quanto à economia brasileira vêm se deteriorando desde 2011, soma-se que nos últimos meses a percepção de uma forte desaceleração tem formado uma certa visão de que a economia brasileira, que já pode ser caracterizada por um processo de estagflação (baixo crescimento com inflação persistente), entrará ainda num período de recessão (taxas de crescimento negativas do PIB).

É esperar os próximos resultados para ver o que se confirma ou não nessas previsões.

 DOWNLOAD DESSE ARTIGO

Anúncios
  1. CONCORDO PLENAMENTE

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: